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Há uma selva lá fora...

Um blogue sobre a selva: observações e comentários de um tipo.

01
Nov17

Orgulho

Rádio Kapa

 

Alguns me perguntam o porquê de a rádio kapa ser tão importante para mim, ter investido tanto do meu tempo livre num projeto que não me deu um tostão, de ter apostado em algo que só me dava dores de cabeça... 

A resposta não é simples: a kapa foi um marco importante na minha vida. Imaginei-a, vi-a nascer, vi-a crescer e, depois, deixei-a ir... Foi uma coisa minha, saída das minhas mãos e que, depois, se transformou num trabalho de uma equipa e que, sem ela (a equipa, entenda-se!), a kapa não teria a visibilidade que teve. Só de ver uma equipa (que chegou a ter sete pessoas!) empenhada numa coisa que eu criara ou o facto de alguém escrever no Twitter "Devia haver mais rádios como esta!" já me deixava orgulhoso pela minha "menina"! 

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É esse o sentimento que nutro pelo projeto que me deu um background único que, de outra forma, não teria: orgulho! 

Olhando à distância, não me sinto triste pelo fim da kapa. É certo que a kapa terminou as emissões no fim do mês de fevereiro. Mas a sua "alma" vive em muitos projetos em que me envolvo: no Largo ou na Cassete Pirata e, mais recentemente, no Informadouro. 

Há sete anos atrás, no primeiro de novembro, preparava-me para lançar às 22h, a rádio kapa.

Hoje, celebramos sete anos de aprendizagens, risos, erros e vitórias de uma rádio que sempre foi "alternativa"! 

Obrigado, kapa! 

 

07
Out17

Ser (youtuber) ou não ser... eis a questão!

Photo by João Silas on Unsplash

 

Ao longo da minha vida tive apenas quatro computadores para uso dos trabalhos escolares e para uso pessoal e, mesmo quando consegui convencer os meus pais a ter internet (uma banda larga móvel 3G com um happy hour entre as 09h e as 16h com tráfego ilimitado), nunca me deu para jogar online os Counter Strikes e os League of Legends desta vida. Ainda sou do tempo de usar disquetes (muitos trabalhos em Word 2000 gravei naqueles quadrados de plástico e vinil). 

Hoje tenho uma conta no Facebook, no Twitter, no Instagram, no Last.FM, no Spotify, no YouTube... 

O YouTube. 

Eu, internetodependente me confesso: "só" sigo 140 canais de YouTube. Vejo os vídeos (também chamados de "conteúdo") de todos? Claro que não! Não tenho tempo para isso! Mas, quando o tenho, passo o feed das subscrições "em revista" e vejo o que os diversos youtubers fazem. E a minha reação para com algum "conteúdo" é a mesma que eu tenho quando me cruzo com "Os Malucos do Riso" na televisão: desligo a parte de coerência do cérebro porque só assim aquilo tem sentido ou piada. É o tipo de coisas que só vejo quando quero me abstrair do dia-a-dia. 

Li o artigo do blogue "[Entre Parêntesis]" sobre a chamada "casa dos youtubers", onde sete pessoas que fazem vídeos criam "conteúdo" para dar aos seguidores dos seus canais. (Calma, calma... isto não é um artigo de resposta onde vou defender os youtubers e atacar a autora do blogue em causa, até porque ela tem razão no que escreveu! )

Eu sou seguidor de canais de alguns dos youtubers que vivem naquela casa. Vi o vídeo de quando o wuant, tristissimo, declarou que já não era vegetariano. Vi alguns vídeos de "como irritar um jogador de LOL" do D4rkFrame. Se me quero tornar youtuber por causa disso? Não me parece! 

Ser youtuber com uma capacidade de produção de "conteúdo" diária não é para qulaquer um! Alguns deixaram de estudar para se dedicar à vida de  youtuber. Exige trabalho e dedicação constantes. E sendo o nosso país de senhores engenheiros e senhores doutores, deixar a escola para se dedicar a essas coisas das internetes não é muito bem visto. 

Mas a questão não passa tanto por aí... a questão não passa tanto por ganhar dinheiro com a internet mas com o tipo de "conteúdo" que os youtubers produzem. Muitos pais estão preocupados porque a linguagem e os conteúdos do "conteúdo" não são os mais indicados para um público com oito ou nove anos. Eu percebo a preocupação. E têm a sua razão! Mas os youtubers (todos eles e não só os "da casa") não produzem conteúdos a pedido: eles têm uma comunidade que os segue e que reage mediante certo "conteúdo" em detrimento de outro. É como a velha máxima de "a televisão devia transmitir desenhos animados menos violentos". Da mesma forma, os youtubers encaram a produção de "conteúdo" como um trabalho e, como tal, ganham dinheiro com isso. Não estou a criticar os youtubers: pelo trabalho que têm, merecem o dinheiro que recebem, seja pela produção de "conteúdo", seja pelos patrocínios. 

E depois, tem de se perceber se há ou não uma transmissão de valores pelos youtubers. Ora, não cabe aos youtubers, como não cabe à televisão, transmitir valores ou ensinamentos ou outra coisa qualquer: os valores são transmitidos pela educação que os pais e encarregados de educação transmitem aos seus filhos e/ou educandos. São os pais que têm que explicar ao filhote que o Beat (nome de youtuber inventado) comprou um Lamborghini porque trabalhou e trabalha todos os dias a fazer vídeos e a investigar coisas e que exige uma disciplina que o puto ainda não tem. E que aquilo que o Beat faz nos vídeos até pode ser engraçado e "fixe" e que o Coisinha  (outro nome de youtuber completamente inventado) é "bué podre", mas não nos podemos esquecer que tudo naquele vídeo e nos subsequentes é estudado e planeado dias a fio, é visto e revisto várias vezes, que há técnicas para que os vídeos atinjam o maior número de pessoas para o máximo de receitas. 

Se podiam moderar a linguagem nos vídeos? Se podiam usar a sua influência para transmitir mensagens? Se podiam berrar menos? Se calhar até podiam! Mas os putos não iam achar tanta piada. 

12
Ago17

Agora somos adultos (II)

Kevin Lee

 

Acabei de fazer 26 anos. 312 meses, 1.356,64 semanas, 9.496,5 dias, 227.916 horas que respiro o ar deste planeta. 

E ainda não decidi o que quero ou para onde vou. A universidade está a acabar. Sim, abandonei o quarto da residência no fim do passado mês de julho. Para sempre? Talvez. E a minha vida coube em mais de seis sacos. 

A minha vida... 

Saí de uma terra que nunca foi minha para voltar a uma terra que também não o é. Temos duas ou mais vidas, vivemo-las em separado, amamos em separado. 

Sempre em separado. 

Acabei de fazer 26 anos. Já lhe disse? 

A CP diz-me que deixei de ser jovem; o "Cartão Jovem" diz que não! 

"O mais importante é que sejas feliz!", diz a minha mãe com a sua razão. Tens 26 anos mas o mais importante é que sejas feliz, completo, arranjes um bom emprego e, depois, arranjes alguém para juntar os trapinhos e viverem num T1 num subúrbio de uma grande cidade, com dois carros para irem para o trabalho todos os dias. Terem sexo e fazerem um filho ou dois, mudarem para um T3 num subúrbio de uma grande cidade, com dois carros e um carro familiar para levarem a criançada para irem para o trabalho todos os dias. Veres os miúdos a crescer (um casalinho era tão bom!) e ele tornar-se jogador de futebol ou doutor ou engenheiro e ela tornar-se uma doutora ou engenheira (porque futebol não é para miúdas!). Eles tornam-se independentes e tu tens alguém ao teu lado num T1 (novamente) num subúrbio de uma grande cidade ou, se tiveres conseguido juntar alguns trocos, numa casa de repouso para gozar a reforma. Ou isso ou encafuam-te num lar, daqueles onde a dentadura roda por todas as bocas dos internados. 

A história é bonita! O fim também o pode ser! Mas e no entretanto? 

Amamos: amamos aquilo que fazemos ou o que queríamos fazer, amamos quem temos ou quem queríamos ter. O presente nunca nos enche as medidas: no passado "é que era bom" e o futuro "a Deus pertence"! O amor também não nos faz felizes pela eternidade. O amor é mau mas pode ser bom. O amor é feio mas também pode ser lindo. O amor pode ser fodido mas também pode ser fantástico. 

Que opções restam? 

Sei lá! Acabei de fazer 26 anos. Que sei eu da vida? 

Vi amigos partirem à procura de escolhas. Agora, se calhar, chegou a minha vez. Sei que vou errar mas também sei que vou acertar... talvez. Afinal, o Camões, só com um olho, dizia que o mundo andava "desconcertado" apenas para ele porque "os maus" andavam em "mares de contentamento" enquanto os bons e, até, ele próprio, passavam "graves tormentos".

Dizia a 28 de junho de 2016 que não éramos adultos: "Somos crianças em ponto grande, cheias de medo para voar". A 13 de agosto de 2017, digo que nada mudou. O pássaro continua com medo de sair do ninho.

Acabei de fazer 26 anos. Acho que já lhe disse...

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