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Há uma selva lá fora...

Um blogue sobre a selva: observações e comentários de um tipo.

13
Fev17

Nós e a rádio

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Para aqueles que andam distraídos, hoje é o Dia Mundial da Rádio: um dia em que festejamos aquele transístor que temos guardado lá em casa ou aquela coisa com botões que temos no meio do tablier do carro.

Apesar de fazer televisão aqui na universidade, rádio é aquela coisa que, quando se toma contacto pela primeira vez, não se deixa de gostar. Há sempre o "bichinho"!

Rádio é improviso, é o direto, é trabalhar sem rede, é o acompanhar ao segundo. É, apesar das tecnologias, não ligar a voz ao rosto. É ligar a música e o estado de espírito. É conseguir animar o ouvinte quando ele está num momento menos bom. É companhia na solidão. É a verdadeira proximidade.

Talvez não demos o real valor à rádio: a rádio não são só "Mixórdias" ou homens que morderam cães, é muito mais que isso... aquela gente que nos fala pelos altifalantes do carro, também faz parte da nossa vida. A rádio acorda-nos, a rádio embala-nos e, apesar dos Spotifys desta vida, a rádio faz parte da nossa realidade.

O lema desta ano é "A rádio és tu"! Diria mais, a rádio somos todos nós!

in UTAD TV (13-02-2017) (link)

07
Fev17

Sobre a rádio kapa...

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A 1 de novembro de 2010, nascia a rádio kapa.

A 1 de março de 2017, a kapa mete férias. 

Despeço-me deste projeto porque ele merece mais do que eu posso dar. 

Em 2010, tinha acabado de entrar na universidade e nada fazia prever aquilo que o projeto se tornou uns anos mais tarde: transmitir festivais e concertos. Uma webrádio a fazer isso? Era impossível! 

Era impossível um programa como o PPP numa rádio normal. Tinhamos liberdade: a liberdade que uns quatro microfones comprados na Worten podiam dar. E divertimo-nos tanto: a dizer asneiras em direto ou gravado. Temos a plena noção que, quando diziamos algo fora do comum no ar, perdíamos ouvintes. Mas não importava: a rádio dá-nos poder. 

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Aprendemos a controlar a voz e melhorar os sotaques. Aprendemos a trabalhar em equipa... logo eu, que gosto tanto de trabalhar sozinho. Levei "puxões de orelhas" à custa disso. 

Diverti-me tanto: diverti-me quando o computador Windows XP que arranjei na loja dos usados não queria aceitar aquela musica da Ke$ha justamente devido ao cifrão; diverti-me nos diretos (e foram tantos!).

Perdi a vergonha de falar em público, de falar em frente a uma câmara. Aprendi a valorizar o que faço: em última instância, aprendi a valorizar-me como pessoa e como profissional. Aprendi que podemos fazer tudo o que queremos: se não der de uma forma, dará de outra. 

"Encaramos a vida com um sorriso", tal como se disse no comunicado na página de Facebook.

Hoje, despeço-me da rádio kapa. Vou fechar a via e desligar o computador que ainda alimenta a emissão no próximo dia 01 de março. Não posso dizer que não volto: o bicho da rádio está aqui, sempre! Mas não tenho tempo para me dedicar ao projeto como deveria. 

A kapa foi a menina dos meus olhos durante seis anos! Está na altura de a deixar ir! 

 

23
Jan17

Sobre o Emprego & Empreendedorismo... (II)

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Ao fim de mais um semestre, despedimo-nos do E&E.

A razão é simples: tornou-se impossível conciliar tudo aquilo que fazemos com a realização de um programa semanal que exige muito tempo para ter a qualidade que os nossos espetadores se habituaram.

Não podemos deixar de agradecer a todos os convidados que passaram pelo programa (Jorge Batista e Luís Oliveira - Rupestris, Carla Santos e Ana Moreno - Douro Generation, Rui Santos - presidente do Município de Vila Real, João Calejo - Gaiva UTAD, José Brás - UTAD Solutions Consulting, Maria Vitorino - Terras de Torga e Álvaro Saraiva - moloni - cloud business tools), a toda a equipa técnica e à diretora de informação e, claro, a todos os nossos espetadores que nos acompanharam, semana após semana.

Deixamos um projeto que nos orgulha todos os dias! Vamos estar noutras funções, noutras andanças e, de certeza, que nos vamos continuar a cruzar na UTAD TV.

Até lá, apagámos a luz: venham os próximos!

Obrigado!

13
Ago16

Chama-se liberdade, meus amigos...

 

A liberdade para criticar está muito na moda: por um lado, há sempre grupos "organizados" nas redes sociais que reclamam de quem diz uma piada sobre um tema sensível; por outro esses grupos "organizados" têm liberdade para reclamar sobre o que quer que seja. 

Admito: sou um reclamador profissional. No entanto, não reclamo "porque sim": reclamo quando tenho uma razão, ainda que mínima, para o fazer. Não gosto muito de críticas negativas (afinal, quem gosta?). Mas recebo-as. Escuto-as. Interiorizo-as. Matuto. Durmo sobre a questão. No dia seguinte, vamos lá melhorar os erros. 

Quem é meu amigo nas redes sociais sabe que, quando escrevo algo por lá, uso de um humor caraterístico: tento olhar para uma notícia e vejo como me posso rir com aquilo. E como fazer os outros rir também!

Tal como na vida, tento ir buscar aquele pormenor: olho bastante para o que está à minha volta e concentro-me nos pequenos detalhes, naquilo que as pessoas deixam passar. Epah! Deixem-me ser feliz assim! 

Gosto de que tenham opiniões diferentes das minhas. Dá para debater sobre vários pontos de vista. 

E sabe do que gosto também? Da minha terra! Da minha "santa" (porém beata) terra que tem temas tabu muito bem definidos. 

Neste momento, estou bloqueado na página de Facebook da junta da minha freguesia. Razão? Oficialmente, não sei! Nunca comentei rigorasamente nada naquela página! Apenas, e como sou estudante deslocado, gosto de me manter a par daquilo que se faz pelo lugar onde nasci e cresci. 

No entanto, e apesar de não saber quais as razões que me levaram ao bloqueio, posso suspeitar. 

Um simples "A sério que vão trazer o X? Não tinham uma coisa melhor?", escrito no meu perfil foi a razão. Foi das poucas vezes que escrevi sobre a minha freguesia no Facebook. Sobre a bendita festa popular em honra à Santa. Nenhum comentário anterior à freguesia tinha sido negativo.

Ora, o meu perfil de Facebook não é aberto! Aquilo que publico é por camadas: alguns conteúdos são publicados para algumas pessoas, outros para outras mas nada é para o público geral. Ora, posto isto era fácil descobrir quem podia ter sido culpado: tinha que ser meu amigo, ser da minha freguesia e teria de ter algo a ver com a junta. E não existiam muitas pessoas nessa posição. 

Se tinha razões para criticar a escolha? Sim. Normalmente, os artistas que estão na berra (o artista tinha acabado de lançar um dueto com um cantor internacional) fazem concertos fracos quando vão às festas ao ar livre. E também não gosto propriamente da música que ele faz.

Resultado: o concerto do cantor foi um fiasco . No entanto, o bloqueio continua. 

Nunca pedi satisfações a quem quer que seja sobre isso. Não tenho medo de ir à junta perguntar: "Ó faxabor, bloquearam-me porquê?". Apenas tenho mais que fazer.

Aquilo que fiz, no meu espaço para um grupo limitado de pessoas, foi dar a minha opinião. Seja certa, seja errada, é a minha opinião! Tenho direito a ela! E não abdico dela! Chama-se liberdade, meus amigos... 

26
Jul16

Engolir sapos...

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O cliente tem sempre razão!

Tretas! Não: o cliente não tem sempre razão!

Convencionou-se lamber as botas dos clientes porque o cliente tem sempre o direito de preferir a empresa X em vez da empresa Z. Por diversas razões: porque tem melhor serviço, é mais rápida, porque tem uma gaja boa no atendimento. E essa é a arma do cliente: o poder de mudar. Só porque acha que "tem sempre razão!", mesmo quando não a tem. 

E esse poder dá direito ao cliente de fazer tudo: no entendimento do cliente, quem presta o serviço tem de fazer tudo o que o cliente pedir! Se assim não for, ameaça-se uma empresa, o funcionário, o gerente. Ameaça-se de queixas nas autoridades. Todos aqueles que colaboram com a empresa são incompetentes. Mesmo que, na função que se desempenha, não haja rigorosamente nada a apontar. Mas, naquele momento, quem está a atender o cliente é um incompetente. 

E o funcionário? Engole mais um "sapo". 

Um "sapo" dificil de engolir. Dificil de digerir.

Porque se fez tudo para servir o cliente. Mas o cliente quer mais. E mais. E mais. E o cliente tem sempre razão. Por isso, toca a engolir mais um sapo. E outro. E outro. 

Muitos clientes, quando se dirigem a serviços/lojas/etc., pensam que aqueles que os atendem são burros e, por essa razão, estão naquela função. Acham que há uma superioridade moral perante os seres reles que os atendem. Como se o ser que atende o cliente tem de saber tudo sobre ele. Tem de saber. Tinha de saber. É um incompetente! A incompetência começa na chefia e acaba no funcionário. 

E o funcionário? Engole mais um "sapo". 

Mas os funcionários têm que estar com um sorriso para atender o próximo cliente... mesmo que o anterior o tenha rebaixado ao nível do subsolo. Afinal, o cliente "tem de ser levado nas palminhas das mãos"! 

O leitor deve estar pensar que, se calhar, sou da opinião da retirada de direitos aos consumidores. 

Não, de todo. 

No entanto, ao dar-se direitos, se calhar, os consumidores desaprenderam a ser pessoas que respeitam quem está a trabalhar para eles, desaprenderam comportar-se em sociedade. É aquela fase do "Posso fazer o que me apetece porque eu tenho sempre razão"! 

E esse sapo custa a engolir... 

 

16
Jul16

Nice... ou a força da imagem!

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Foto: Nice-Matin

As imagens do atentado de Nice chocam... e muito! 

Chocam pela crueldade de quem atentou contra a vida de centenas de pessoas. Chocam pelo ato em si! Chocam por muitas mais razões. 

Mas são imagens que não devem ser censuradas. 

"Sejamos racionais no tratamento das imagens deste crime!", pediram as redes sociais. 

Vamos ser realistas e honestos: já passaram imagens na televisão em que nos perguntámos "Porquê?". Desde corpos decepados em horário nobre a massacres em direto, passando pelo sexo ao vivo para milhões, de tudo a caixinha mágica já deu aos espetadores ávidos de sangue, suor, lágrimas e porrada! 

Não consigo ter uma opinião formada sobre se as imagens dos atentados de Nice deviam ou não ser divulgadas. 

Por um lado, não se "dissemina o medo"; por outro, oculta-se a realidade! E os jornalistas são, em última instância, os gatekeepers dessa realidade.

Ocultar o que se passou (porque não emitir imagens é uma ocultação, na minha opinião!) não é solução: as pessoas vão procurar onde essa informação está! É como os adolescentes que não ouvem falar de sexo em casa e vão procurar (des)informação na internet!

E mostrar as imagens "dissemina o medo".

Esta não entendi! Como é que divulgando as imagens dissemina o medo? O medo já está instalado! O atentado aconteceu num local onde não devia ter acontecido e onde as pessoas se deviam sentir seguras e felizes. 

Podemos falar do "bom gosto" (um conceito demasiado lato!), do respeito humano, de mil e uma coisas que o jornalista deve ter quando está em direto.

Durante este atentado de Nice, uma jornalista do canal público francês France 2 esteve em direto num especial de informação que a estação emitiu ainda durante a noite do dia 14 para 15 de julho. 

O direto incluiu uma entrevista que chocou muitos: a jornalista recolheu um testemunho de um homem cuja esposa havia falecido minutos antes. "Uma reação em direto para a France 2, por favor!", pediu a reporter.

O que chocou mais foi o facto a esposa estar mesmo ali ao lado, coberta por um pano. O homem estava ajoelhado ao lado e contou ao microfone da estação pública francesa de como ele esteve ali vários minutos a tentar reanimar a vítima mortal.

O vídeo está disponível aqui.

A estação pediu desculpas.

Entretanto, o chefe de redação adjunto do canal, Olivier Siou, justificou-se no Twitter. Em resposta a um tweet de um utilizador (que o questionou sobre os conteúdos da emissão especial e não sobre este excerto em específico. ), o jornalista respondeu assim: 

 

Ora aqui está o fundo da questão: acreditaríamos, num mundo em que a imagem é fulcral e em que tudo é fotografado para colocar no Instagram, que o atentado aconteceu senão houvesse imagens do sucedido? 

Muitos não acreditam que bin Laden morreu porque não há imagens desse momento. 

Acreditariamos num atentado numa sala de espetáculos em Paris, senão víssemos as pessoas a fugir nos vários vídeos difundidos?

Acho que não!

No entanto, o leitor deve estar a pensar: "Não é preciso emitir imagens tão explicítas!". 

A frase "O atentado de Nice fez oitenta e quatro mortos: dez eram crianças!" não tem o mesmo impacto que ver uma imagem de um corpo de uma criança, coberto por um lençol, com a sua boneca ao lado. 

Choca? 

Sim!

Mas tomamos a verdadeira perceção da realidade. 

30
Jun16

Sobre o Emprego & Empreendedorismo...

Acabamos de fazer uma publicação no Facebook do Emprego & Empreendedorismo: uma comunicação que espelha um semestre de um projeto espetacularmente bem sucedido. 

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A equipa do E&E vai de férias!

Ao longo deste semestre, estivemos em múltiplas atividades, fizemos cobertura de uma série de eventos. Chegamos ao fim com o sentimento de dever cumprido, muito para lá do que nos seria exigido.

Quanto a nós, resta-nos agradecer a quem nos segue e a quem nos ajudou a tornar este pequeno magazine em algo maior. Obrigado aos técnicos da UTAD TV, à nossa coordenadora e à nossa diretora de informação.

Obrigado a todos os convidados e empresas que se prestaram a dar uma entrevista para o programa (António Serzedelo, ArtinVitro, Vera Medeiros - Gaiva UTAD, Nuno Casalta - Escola Secundária Francisco de Holanda, João Fonseca, 4ALL Software, Marisa Ribeirinho, Lateral | creative studios, UTAD Solutions Consulting).

Obrigado a todos e cada um dos nossos 198 seguidores no Facebook.

A nossa alma empreendedora estará sempre viva. Estaremos noutros projetos ou noutros locais a estudar ou a trabalhar.

Não é um "adeus": é mais um "até já".

28
Jun16

Agora somos adultos

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A estudar há algum tempo na universidade, apercebo-me que, cada vez mais, a minha vida cabe em apenas dois ou três sacos. 

Estou a arrumar o meu quarto que me acolheu durante um ano letivo. Tenho que o abandonar até ao fim do mês pois a residência universitária fecha durante os meses de verão "para manutenção". 

Ao arrumar as coisas, apercebo-me que vou voltar à terra que já não é minha. Já não vivo lá. Agora vivo noutra cidade... que também não é minha. Somos de uma terra de ninguém. Vivemos em dois locais, temos dois quartos, duas vidas. 

Ser estudante universitário não é fácil. Se calhar, deve estar a pensar: "Sim, sim: eu bem vos vejo na "dificuldade" nos cortejos acedémicos!". 

Acho que não me fiz compreender: ser estudante universitário deslocado não é fácil.

A nossa realidade muda: o nosso mundo vira completamente do avesso. De um momento para o outro, estamos numa cidade completamente diferente a falar com pessoas diferentes e que serão a nossa "família" enquanto estudamos. 

Aprendemos a lidar com uma vida completamente diferente: a ter que fazer opções porque a nossa conta bancária não estica, apesar dos vinte e cinco euros que investimos na sua abertura. A escolher entre o prazer de ir tomar um café fora ou pegar na cevada e juntar água quente, aquecida no microondas da cozinha da residência; a escolher entre comer uma hamburguer no café ou optar pela costeleta frita, dura como pedra, da cantina;... enfim, fazer escolhas. 

Ativamos o gene do "desenrrasca-te": "os "papás" estão longe e não te podem vir ajudar. Pelo menos, em tempo útil! És maior e vacinado! Tens 18 anos, tens de te mexer!", pensamos nós. 

E agora, eu penso que tenho os dois ou três sacos com toda a minha vida lá dentro: a roupa, roupa de cama, o traje, as camisolas de curso e da academia. Tenho a noção que voltarei a este (ou a outro) quarto no próximo ano letivo. Tenho a noção que encontrarei exatamente tudo no mesmo sítio: as árvores, os cheiros, os passáros. Tenho a noção que o lava-loiças estará entupido, o frigorifico continuará a funcionar mal e a internet não chega para a "encomenda". Tenho a noção que a água vai continuar a sair com ferrugem no primeiro momento em que eu abrir a torneira, que o chuveiro continua a funcionar mal e que a lâmpada flurescente que estava a piscar ainda não foi substituída. 

No entanto, tenho a noção que esta foi e (ainda) é a minha casa onde passo a maior parte do meu tempo. E tenho a noção que a minha "casa" não estará igual: haverá caras novas, novos ruídos, novas amizades. E outras amizades que partem para novos caminhos. 

Os sacos não guardam, apenas, a roupa, roupa de cama, o traje, as camisolas e da academia: guardam histórias, risos, "segredos desta cidade/levo comigo para a vida". Guardam a memória de quando me foi dado o traje, guardam o primeiro smoking que usei na minha primeira emissão da UTAD TV, guardam a camisola que usei quando tentei dizer "amo-te" àquela pessoa especial... guardam a vida no seu sentido mais bonito. 

Aproxima-se o último ano em que eu estarei na cidade que me acolheu como estudante de Ciências da Comunicação. E ainda não me sinto preparado para o mundo dos adultos. Aquele mundo em que as decisões tomadas afetam outras pessoas, condicionando o seu presente e, mesmo, o seu futuro. Aquele mundo em que não tomar decisões também afeta outras pessoas. 

Vejo outros colegas e amigos a partir por outros caminhos. Desejo-lhes boa sorte nas suas escolhas. 

"Agora somos adultos!", dizem. Não, não somos. Somos crianças em ponto grande, cheias de medo para voar. Mas temos de partir: não podemos fazer nada para mudar um passado que não volta. 

14
Jun16

Reflexão casual

Há mal no mundo. 

E pior, há prazer no mal que se faz. 

Há um prazer malvado em fazer-se mal a outrem. Porque sim. Porque se quer. Porque simplesmente se convencionou.

E o mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E mudar a foto de perfil para as cores do arco-íris como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

"#SomosTodosOrlando"! É mentira! Porque não o somos. Tal como não somos todos Charlie. Porque não nos vemos como pessoas iguais. 

E, nesta desigualdade, há ainda quem consiga tirar prazer na maldade... na maldade de se achar superior. 

E o mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E mudar a foto de perfil para as cores de uma bandeira como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

Queremos acreditar que evoluímos como seres inteligentes que somos. 

Infelizmente, regredimos! Para pior! Porque o mundo é um lugar em que nos deixamos engolir pela informação em cascata, pelos gatinhos, pelos vídeos de fails e de casais a fazer sexo numa praia com a filha ao lado. 

E o mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E mudar a foto de capa com uma imagem cheia de mensagens de paz e amor como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

Já sei onde vou partilhar este texto: no meu perfil do Facebook. E no meu Twitter. E no meu Instagram. E no meu LikedIn. E vou receber um like, e depois outro. E outro.

Eish. Tantos amigos que tenho. Não conheço metade. Mas são meus amigos. Estão lá. Os números não mentem. 

E eu como reajo? Com gostos e partilhas... e snaps. E coloco uma imagem de uma frase pirosa da Beyoncé, do Fernando Pessoa ou de outro indivíduo qualquer.

Porque ninguém tem nada a ver com o que faço na minha vida. 

E reajo ao que me rodeia. Aos acontecimentos de Orlando, aos atentados em França, na Nigéria. Todos são iguais. Todos levam com a hashtag #PrayFor. Sou tão bom com o mundo. 

Quero mostrar. Quero sentir que os outros viram. 

Sou hipócrita! 

Mas somos todos. 

Já o Fernando Pessoa dizia que o poeta era um fingidor. E eu sou um poeta. Um poeta que olha para o mundo. É certo que é pela redes sociais. Mas o social não é o novo real? 

Tenho amigos mas nunca os vi. Tenho inimigos que não me fazem mal e os posso banir. E todos sabem onde estou porque eu tiro sempre a selfie da praxe. 

E o meu mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E colocar a foto da noite passada como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

Mas não muda. As redes sociais não mudam nada. Fazem "bola" pelo mundo. Aliás, fazem: apagam-nos, limitam o nosso sentido crítico, limitam aquilo que nos rodeia. 

Porque o mal do mundo não se compadece com gostos e partilhas. 

O mal do mundo não se compadece com fotos da National Geographic de refugiados sírios. 

O mal do mundo não se compadece com os mortos num atentado num país africano ou numa discoteca nos Estados Unidos. 

O mal do mundo é toda a gente. Todos nós contribuímos em algo para este mal. 

Tomei a decisão de viver mais a vida. Deixar as redes sociais um pouco de lado e usá-las para aquilo que elas servem: trabalho.

Vou tentar deixar de olhar para o pôr-do-sol como uma ótima foto do Instagram.

Olhar para um situação engraçada e rir-me. E depois contar aos outros numa conversa à volta de uma mesa de café. 

Ver um concerto sem tirar uma foto. 

Olhar para o mundo e ver que todos são iguais e que todos têm direito aos mesmos direitos. 

Ou, simplesmente, olhar para o mundo e apreciá-lo.

Se calhar, no final, serei mais feliz...

15
Abr16

Balanços

Há diversos balanços a fazer quando o ano letivo se está a aproximar do fim: há balanços de coisas que se perdem e que se ganham, de coisas que se experimentam e nos arrependemo-nos e de coisas que não nos arrependemos de todo de ter feito, criado e magicado. 

A minha atividade de televisão resume-se à UTAD TV, uma escola dentro da universidade. São já alguns os profissionais que começaram com o "bicho da televisão" nesta estação que (ainda) só emite na internet!

Este foi o semestre em que saí de pivô do Jornal Universitário, um dos principais programas da UTAD TV. Foi uma experiência única ao longo de um ano letivo e meio : estar em direto é sempre uma adrenalina.

Ser pivô significa que temos uma responsabilidade acrescida de mostrar o trabalho dos nossos colegas, mesmo que seja sobre o Anselmo Ralph, de uma conferência sobre doenças em ovinos e caprinos da região altoduriense ou seja da autoria de pessoas com as quais não temos a melhor simpatia: o nosso trabalho é estar em frente às câmaras e ser o mais isentos possível em relação ao tema que estamos a abordar. Entrevistar reitor, vice-reitores, administradores e comunidade estudantil em geral em direto para todo o mundo é bom. Aliás, é muito bom!

No entanto, sempre tive a noção que ser pivô não é um posto! Não posso exigir nada de ninguém quando me dão uma oportunidade de aprender! Apesar de pagar propinas, a UTAD TV é para quem quer aprender mais e isso é uma oportunidade. No inicio do segundo semestre, a diretora de informação achou por bem colocar-me num programa bem diferente daquilo que fiz até esse momento na estação: o "Emprego & Empreendedorismo". 

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Vi duas emissões do semestre anterior para perceber que "Não: eu não quero ver isto! ". 

O E&E era aquele programa que era feito só porque sim: como se de uma obrigação se tratasse, sem alma, com frases feitas, e em que havia a cobertura de palestras e pouco mais. Não quero, de todo, menosprezar o trabalho feito pelos técnicos e pelos alunos. No entanto, exigia-se mais de um magazine que sobre uma realidade tão má para nós, recém-licenciados: o Emprego. Eu próprio exigia mais deste programa. 

Uma semana antes do primeiro programa ir para o ar, conheci então a minha parceira de trabalho: aluna de 3º ano, a Cristiana Macedo revelou-se alguém pronta a embarcar numa aventura de transformar o "Emprego" num magazine que as pessoas vissem e dissessem "Olha: até que não está mal!". Ela podia ter dito: "Não: já existe uma estrutura. Porque raio vamos remodelar tudo?". Mas não: após lhe falar das minhas ideias e ela das dela, pusemos mãos à obra. A nossa coordenadora, a Helena Margarida, disse apenas: "Eu confio em vós!", a Ana Daniela Lopes tratou do grafismo. E nós (eu e a Cristiana) tratamos do programa em si: planeamento, gravação e montagem. 

Objetivo cumprido: conseguimos tornar o E&E num magazine útil com agenda, ofertas de emprego e tirámos as reportagens de palestras para as transformar em breves e extras para o canal no MEO e no Youtube. 

E no final, eu e a Cristiana já nos chamamos de "parceiros". 

É um desafio criar o E&E: temos de estar atentos à atualidade da academia, às empresas que estão lá incubadas e criar conteúdos multiplataforma que sejam interessantes para quem nos segue. É um magazine que tem que existir: divulgar aquilo que se faz em termos de empreendedorismo na região, divulgar as oportunidades de emprego e atividades que nos ajudam a encontrar esse emprego. Tudo isto tem de ser divulgado e, acho, que toda esta equipa tem cumprido esse papel. 

Para ver em no YouTube, MEO [tecla verde>850728] e no site da UTAD TV. Siga-nos também no Facebook.

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