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Há uma selva lá fora...

Um blogue sobre a selva: observações e comentários de um tipo.

07
Out17

Ser (youtuber) ou não ser... eis a questão!

Photo by João Silas on Unsplash

 

Ao longo da minha vida tive apenas quatro computadores para uso dos trabalhos escolares e para uso pessoal e, mesmo quando consegui convencer os meus pais a ter internet (uma banda larga móvel 3G com um happy hour entre as 09h e as 16h com tráfego ilimitado), nunca me deu para jogar online os Counter Strikes e os League of Legends desta vida. Ainda sou do tempo de usar disquetes (muitos trabalhos em Word 2000 gravei naqueles quadrados de plástico e vinil). 

Hoje tenho uma conta no Facebook, no Twitter, no Instagram, no Last.FM, no Spotify, no YouTube... 

O YouTube. 

Eu, internetodependente me confesso: "só" sigo 140 canais de YouTube. Vejo os vídeos (também chamados de "conteúdo") de todos? Claro que não! Não tenho tempo para isso! Mas, quando o tenho, passo o feed das subscrições "em revista" e vejo o que os diversos youtubers fazem. E a minha reação para com algum "conteúdo" é a mesma que eu tenho quando me cruzo com "Os Malucos do Riso" na televisão: desligo a parte de coerência do cérebro porque só assim aquilo tem sentido ou piada. É o tipo de coisas que só vejo quando quero me abstrair do dia-a-dia. 

Li o artigo do blogue "[Entre Parêntesis]" sobre a chamada "casa dos youtubers", onde sete pessoas que fazem vídeos criam "conteúdo" para dar aos seguidores dos seus canais. (Calma, calma... isto não é um artigo de resposta onde vou defender os youtubers e atacar a autora do blogue em causa, até porque ela tem razão no que escreveu! )

Eu sou seguidor de canais de alguns dos youtubers que vivem naquela casa. Vi o vídeo de quando o wuant, tristissimo, declarou que já não era vegetariano. Vi alguns vídeos de "como irritar um jogador de LOL" do D4rkFrame. Se me quero tornar youtuber por causa disso? Não me parece! 

Ser youtuber com uma capacidade de produção de "conteúdo" diária não é para qulaquer um! Alguns deixaram de estudar para se dedicar à vida de  youtuber. Exige trabalho e dedicação constantes. E sendo o nosso país de senhores engenheiros e senhores doutores, deixar a escola para se dedicar a essas coisas das internetes não é muito bem visto. 

Mas a questão não passa tanto por aí... a questão não passa tanto por ganhar dinheiro com a internet mas com o tipo de "conteúdo" que os youtubers produzem. Muitos pais estão preocupados porque a linguagem e os conteúdos do "conteúdo" não são os mais indicados para um público com oito ou nove anos. Eu percebo a preocupação. E têm a sua razão! Mas os youtubers (todos eles e não só os "da casa") não produzem conteúdos a pedido: eles têm uma comunidade que os segue e que reage mediante certo "conteúdo" em detrimento de outro. É como a velha máxima de "a televisão devia transmitir desenhos animados menos violentos". Da mesma forma, os youtubers encaram a produção de "conteúdo" como um trabalho e, como tal, ganham dinheiro com isso. Não estou a criticar os youtubers: pelo trabalho que têm, merecem o dinheiro que recebem, seja pela produção de "conteúdo", seja pelos patrocínios. 

E depois, tem de se perceber se há ou não uma transmissão de valores pelos youtubers. Ora, não cabe aos youtubers, como não cabe à televisão, transmitir valores ou ensinamentos ou outra coisa qualquer: os valores são transmitidos pela educação que os pais e encarregados de educação transmitem aos seus filhos e/ou educandos. São os pais que têm que explicar ao filhote que o Beat (nome de youtuber inventado) comprou um Lamborghini porque trabalhou e trabalha todos os dias a fazer vídeos e a investigar coisas e que exige uma disciplina que o puto ainda não tem. E que aquilo que o Beat faz nos vídeos até pode ser engraçado e "fixe" e que o Coisinha  (outro nome de youtuber completamente inventado) é "bué podre", mas não nos podemos esquecer que tudo naquele vídeo e nos subsequentes é estudado e planeado dias a fio, é visto e revisto várias vezes, que há técnicas para que os vídeos atinjam o maior número de pessoas para o máximo de receitas. 

Se podiam moderar a linguagem nos vídeos? Se podiam usar a sua influência para transmitir mensagens? Se podiam berrar menos? Se calhar até podiam! Mas os putos não iam achar tanta piada. 

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