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Há uma selva lá fora...

Um blogue sobre a selva: observações e comentários de um tipo.

12
Ago17

Agora somos adultos (II)

Kevin Lee

 

Acabei de fazer 26 anos. 312 meses, 1.356,64 semanas, 9.496,5 dias, 227.916 horas que respiro o ar deste planeta. 

E ainda não decidi o que quero ou para onde vou. A universidade está a acabar. Sim, abandonei o quarto da residência no fim do passado mês de julho. Para sempre? Talvez. E a minha vida coube em mais de seis sacos. 

A minha vida... 

Saí de uma terra que nunca foi minha para voltar a uma terra que também não o é. Temos duas ou mais vidas, vivemo-las em separado, amamos em separado. 

Sempre em separado. 

Acabei de fazer 26 anos. Já lhe disse? 

A CP diz-me que deixei de ser jovem; o "Cartão Jovem" diz que não! 

"O mais importante é que sejas feliz!", diz a minha mãe com a sua razão. Tens 26 anos mas o mais importante é que sejas feliz, completo, arranjes um bom emprego e, depois, arranjes alguém para juntar os trapinhos e viverem num T1 num subúrbio de uma grande cidade, com dois carros para irem para o trabalho todos os dias. Terem sexo e fazerem um filho ou dois, mudarem para um T3 num subúrbio de uma grande cidade, com dois carros e um carro familiar para levarem a criançada para irem para o trabalho todos os dias. Veres os miúdos a crescer (um casalinho era tão bom!) e ele tornar-se jogador de futebol ou doutor ou engenheiro e ela tornar-se uma doutora ou engenheira (porque futebol não é para miúdas!). Eles tornam-se independentes e tu tens alguém ao teu lado num T1 (novamente) num subúrbio de uma grande cidade ou, se tiveres conseguido juntar alguns trocos, numa casa de repouso para gozar a reforma. Ou isso ou encafuam-te num lar, daqueles onde a dentadura roda por todas as bocas dos internados. 

A história é bonita! O fim também o pode ser! Mas e no entretanto? 

Amamos: amamos aquilo que fazemos ou o que queríamos fazer, amamos quem temos ou quem queríamos ter. O presente nunca nos enche as medidas: no passado "é que era bom" e o futuro "a Deus pertence"! O amor também não nos faz felizes pela eternidade. O amor é mau mas pode ser bom. O amor é feio mas também pode ser lindo. O amor pode ser fodido mas também pode ser fantástico. 

Que opções restam? 

Sei lá! Acabei de fazer 26 anos. Que sei eu da vida? 

Vi amigos partirem à procura de escolhas. Agora, se calhar, chegou a minha vez. Sei que vou errar mas também sei que vou acertar... talvez. Afinal, o Camões, só com um olho, dizia que o mundo andava "desconcertado" apenas para ele porque "os maus" andavam em "mares de contentamento" enquanto os bons e, até, ele próprio, passavam "graves tormentos".

Dizia a 28 de junho de 2016 que não éramos adultos: "Somos crianças em ponto grande, cheias de medo para voar". A 13 de agosto de 2017, digo que nada mudou. O pássaro continua com medo de sair do ninho.

Acabei de fazer 26 anos. Acho que já lhe disse...

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