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Há uma selva lá fora...

Um blogue sobre a selva: observações e comentários de um tipo.

30
Jun16

Sobre o Emprego & Empreendedorismo...

Acabamos de fazer uma publicação no Facebook do Emprego & Empreendedorismo: uma comunicação que espelha um semestre de um projeto espetacularmente bem sucedido. 

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A equipa do E&E vai de férias!

Ao longo deste semestre, estivemos em múltiplas atividades, fizemos cobertura de uma série de eventos. Chegamos ao fim com o sentimento de dever cumprido, muito para lá do que nos seria exigido.

Quanto a nós, resta-nos agradecer a quem nos segue e a quem nos ajudou a tornar este pequeno magazine em algo maior. Obrigado aos técnicos da UTAD TV, à nossa coordenadora e à nossa diretora de informação.

Obrigado a todos os convidados e empresas que se prestaram a dar uma entrevista para o programa (António Serzedelo, ArtinVitro, Vera Medeiros - Gaiva UTAD, Nuno Casalta - Escola Secundária Francisco de Holanda, João Fonseca, 4ALL Software, Marisa Ribeirinho, Lateral | creative studios, UTAD Solutions Consulting).

Obrigado a todos e cada um dos nossos 198 seguidores no Facebook.

A nossa alma empreendedora estará sempre viva. Estaremos noutros projetos ou noutros locais a estudar ou a trabalhar.

Não é um "adeus": é mais um "até já".

28
Jun16

Agora somos adultos

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A estudar há algum tempo na universidade, apercebo-me que, cada vez mais, a minha vida cabe em apenas dois ou três sacos. 

Estou a arrumar o meu quarto que me acolheu durante um ano letivo. Tenho que o abandonar até ao fim do mês pois a residência universitária fecha durante os meses de verão "para manutenção". 

Ao arrumar as coisas, apercebo-me que vou voltar à terra que já não é minha. Já não vivo lá. Agora vivo noutra cidade... que também não é minha. Somos de uma terra de ninguém. Vivemos em dois locais, temos dois quartos, duas vidas. 

Ser estudante universitário não é fácil. Se calhar, deve estar a pensar: "Sim, sim: eu bem vos vejo na "dificuldade" nos cortejos acedémicos!". 

Acho que não me fiz compreender: ser estudante universitário deslocado não é fácil.

A nossa realidade muda: o nosso mundo vira completamente do avesso. De um momento para o outro, estamos numa cidade completamente diferente a falar com pessoas diferentes e que serão a nossa "família" enquanto estudamos. 

Aprendemos a lidar com uma vida completamente diferente: a ter que fazer opções porque a nossa conta bancária não estica, apesar dos vinte e cinco euros que investimos na sua abertura. A escolher entre o prazer de ir tomar um café fora ou pegar na cevada e juntar água quente, aquecida no microondas da cozinha da residência; a escolher entre comer uma hamburguer no café ou optar pela costeleta frita, dura como pedra, da cantina;... enfim, fazer escolhas. 

Ativamos o gene do "desenrrasca-te": "os "papás" estão longe e não te podem vir ajudar. Pelo menos, em tempo útil! És maior e vacinado! Tens 18 anos, tens de te mexer!", pensamos nós. 

E agora, eu penso que tenho os dois ou três sacos com toda a minha vida lá dentro: a roupa, roupa de cama, o traje, as camisolas de curso e da academia. Tenho a noção que voltarei a este (ou a outro) quarto no próximo ano letivo. Tenho a noção que encontrarei exatamente tudo no mesmo sítio: as árvores, os cheiros, os passáros. Tenho a noção que o lava-loiças estará entupido, o frigorifico continuará a funcionar mal e a internet não chega para a "encomenda". Tenho a noção que a água vai continuar a sair com ferrugem no primeiro momento em que eu abrir a torneira, que o chuveiro continua a funcionar mal e que a lâmpada flurescente que estava a piscar ainda não foi substituída. 

No entanto, tenho a noção que esta foi e (ainda) é a minha casa onde passo a maior parte do meu tempo. E tenho a noção que a minha "casa" não estará igual: haverá caras novas, novos ruídos, novas amizades. E outras amizades que partem para novos caminhos. 

Os sacos não guardam, apenas, a roupa, roupa de cama, o traje, as camisolas e da academia: guardam histórias, risos, "segredos desta cidade/levo comigo para a vida". Guardam a memória de quando me foi dado o traje, guardam o primeiro smoking que usei na minha primeira emissão da UTAD TV, guardam a camisola que usei quando tentei dizer "amo-te" àquela pessoa especial... guardam a vida no seu sentido mais bonito. 

Aproxima-se o último ano em que eu estarei na cidade que me acolheu como estudante de Ciências da Comunicação. E ainda não me sinto preparado para o mundo dos adultos. Aquele mundo em que as decisões tomadas afetam outras pessoas, condicionando o seu presente e, mesmo, o seu futuro. Aquele mundo em que não tomar decisões também afeta outras pessoas. 

Vejo outros colegas e amigos a partir por outros caminhos. Desejo-lhes boa sorte nas suas escolhas. 

"Agora somos adultos!", dizem. Não, não somos. Somos crianças em ponto grande, cheias de medo para voar. Mas temos de partir: não podemos fazer nada para mudar um passado que não volta. 

14
Jun16

Reflexão casual

Há mal no mundo. 

E pior, há prazer no mal que se faz. 

Há um prazer malvado em fazer-se mal a outrem. Porque sim. Porque se quer. Porque simplesmente se convencionou.

E o mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E mudar a foto de perfil para as cores do arco-íris como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

"#SomosTodosOrlando"! É mentira! Porque não o somos. Tal como não somos todos Charlie. Porque não nos vemos como pessoas iguais. 

E, nesta desigualdade, há ainda quem consiga tirar prazer na maldade... na maldade de se achar superior. 

E o mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E mudar a foto de perfil para as cores de uma bandeira como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

Queremos acreditar que evoluímos como seres inteligentes que somos. 

Infelizmente, regredimos! Para pior! Porque o mundo é um lugar em que nos deixamos engolir pela informação em cascata, pelos gatinhos, pelos vídeos de fails e de casais a fazer sexo numa praia com a filha ao lado. 

E o mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E mudar a foto de capa com uma imagem cheia de mensagens de paz e amor como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

Já sei onde vou partilhar este texto: no meu perfil do Facebook. E no meu Twitter. E no meu Instagram. E no meu LikedIn. E vou receber um like, e depois outro. E outro.

Eish. Tantos amigos que tenho. Não conheço metade. Mas são meus amigos. Estão lá. Os números não mentem. 

E eu como reajo? Com gostos e partilhas... e snaps. E coloco uma imagem de uma frase pirosa da Beyoncé, do Fernando Pessoa ou de outro indivíduo qualquer.

Porque ninguém tem nada a ver com o que faço na minha vida. 

E reajo ao que me rodeia. Aos acontecimentos de Orlando, aos atentados em França, na Nigéria. Todos são iguais. Todos levam com a hashtag #PrayFor. Sou tão bom com o mundo. 

Quero mostrar. Quero sentir que os outros viram. 

Sou hipócrita! 

Mas somos todos. 

Já o Fernando Pessoa dizia que o poeta era um fingidor. E eu sou um poeta. Um poeta que olha para o mundo. É certo que é pela redes sociais. Mas o social não é o novo real? 

Tenho amigos mas nunca os vi. Tenho inimigos que não me fazem mal e os posso banir. E todos sabem onde estou porque eu tiro sempre a selfie da praxe. 

E o meu mundo como reage? Com gostos e partilhas... e snaps. E colocar a foto da noite passada como se isso fosse mudar uma realidade que aconteceu. 

Mas não muda. As redes sociais não mudam nada. Fazem "bola" pelo mundo. Aliás, fazem: apagam-nos, limitam o nosso sentido crítico, limitam aquilo que nos rodeia. 

Porque o mal do mundo não se compadece com gostos e partilhas. 

O mal do mundo não se compadece com fotos da National Geographic de refugiados sírios. 

O mal do mundo não se compadece com os mortos num atentado num país africano ou numa discoteca nos Estados Unidos. 

O mal do mundo é toda a gente. Todos nós contribuímos em algo para este mal. 

Tomei a decisão de viver mais a vida. Deixar as redes sociais um pouco de lado e usá-las para aquilo que elas servem: trabalho.

Vou tentar deixar de olhar para o pôr-do-sol como uma ótima foto do Instagram.

Olhar para um situação engraçada e rir-me. E depois contar aos outros numa conversa à volta de uma mesa de café. 

Ver um concerto sem tirar uma foto. 

Olhar para o mundo e ver que todos são iguais e que todos têm direito aos mesmos direitos. 

Ou, simplesmente, olhar para o mundo e apreciá-lo.

Se calhar, no final, serei mais feliz...

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