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Há uma selva lá fora...

Um blogue sobre a selva: observações e comentários de um tipo.

19
Jul18

Os meus pais não são avecs!

Amine Rock Hoovr

 

Sou filho de emigrantes! 

Os meus pais foram embora de Portugal porque não havia forma de ter uma vida estável. Foram embora para me dar uma educação, para me pagarem um curso... 

Sou filho de emigrantes e tenho orgulho nisso! 

Mas não: os meus pais não são avecs.

Quando vêm a Portugal, eles trocam o "bom dia" pelo "bonjour", o "olha!" pelo "regarde!" ou o "quanto?" pelo "combien?". Contam as histórias do trabalho, vibram quando vêem um galo de Barcelos na feira e têm orgulho de vestir a camisola da Seleção. 

Talvez o meu pai goste de ouvir o "Sou português emigrante/Chora, chora/Linda chora!" ou o Tony Carreira num volume para lá dos décibeis normais! 

Talvez a minha mãe tenha um sotaque estranho (que toda a gente deteta menos eu!) e que a denuncia como emigrante. 

Mas não: os meus pais não são avecs. 

Os avecs não são aqueles que berram um "Jean-Michel, tu vas tomber caralho!" num espaço público! 

Os avecs são aqueles que se dizem portugueses mas, à primeira oportunidade, dizem que "Portugal? C'est la merde!" Os avecs são aqueles que alugam um carro na "France" e dizem que é seu! Os avecs são aqueles que se esquecem das origens, de quem são, do que foram fazer lá para fora! Precisam de provar, a "toute le monde", que são melhores do que aqueles "provincianos lá de Portugal". 

São aquele esterótipo de merda que se cola a todos os tugas lá da "France".

Está no nosso sangue de português típico querermos ser melhores que o nosso vizinho. Aliás, somos o único povo que se consegue dar bem em qualquer lado... menos em Portugal.

Os avecs e o português típico não aprenderam uma coisa: humildade! Porque o português típico é o rídiculo que critica tudo mas não tem tomates para sair; os avecs são os rídiculos que saíram mas que olham de uma forma superior para quem cá fica. 

No fundo, todos eles são rídiculos por se acharem superiores. 

Não: os meus pais não são avecs!.

Os meus pais são emigrantes. 

Os meus pais dizem com orgulho que são portugueses. Os meus pais têm o galo de Barcelos, um crucifixo e uma Nossa Senhora na mesma mesa. Os meus pais pagam a assinatura da TVI para ver o "Somos Portugal", mesmo quando eu digo que isso é (lá está!) parolo! Os meus pais tiveram-nos no sítio para sair daqui e olham para Portugal contando os dias para ter aqueles quinze dias durante o mês de agosto para voltar à terra. O Skype aproxima mas não substitui o abraço apertado de uma zona de chegadas do aeroporto! 

Eu tenho quatro abraços do meu pai por ano: dois em agosto e dois em dezembro. Sempre no mesmo local! Sempre no aeroporto! Quando estou com eles, sei que, ao fim de dois dias, com eles sinto-me exausto. Querem saber da minha vida. Logo eu que deixei de dar satisfações! Querem saber onde vou, com quem vou, quando volto... 

"Hoje não vais!" 

"Pai, tenho 26 anos!"

Mas no fim, quando vão embora, voltar à rotina custa! Passamos as três semanas seguintes a ligar todos os dias, a perguntar se está tudo bem, a falar por todas as aplicações possíveis. E querem ver como está tudo: se todos ficaram bem.

"Logo à noite, vais estar na casa dos avós? É que quero falar para eles! Por onde? Pelo Skype!", diz a minha mãe.

Armamo-nos em fortes, engolimos a saudade e continuamos as nossas vidas... 

02
Jul18

Os jornalistas

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Lembro-me vagamente de, no final dos anos 90 do século XX, a SIC transmitir uma série chamada "Jornalistas". Contava a história de uma redação do jornal fictício "A Gazeta" e das vidas dos jornalistas dentro e fora da publicação. 

Sei que isto pode ser um cliché mas, apesar de me lembrar pouco da série, lembro-me que foi fundamental para tomar a decisão de seguir jornalismo/a área da comunicação. 

Quase 20 anos depois desta série, o "Gazeta" continua a não existir, o Diário de Notícias acabou como o conhecemos durante anos (em papel nas bancas todas as manhãs) e o Porto Canal parece estar a despedir pessoas. 

Já escrevi várias vezes sobre jornalismo neste meu espaço. Mas o que me leva a escrevinhar é um dos posts mais recentes de Paulo Querido, antigo jornalista, na sua página pessoal sobre a remodelação geral do DN. 

Fui espreitar o DN online. O site foi renovado e está graficamente melhor e mais bem arrumado.

Ou seja: é a mesma coisa melhor embaladazinha. Rigorosamente a mesma coisa: artigos escritos para o papel por jornalistas treinados para o papel são transpostos para páginas web.

Ora, a embalagem não é o problema. A função (logo, o conteúdo) é.

Lá se foi a minha esperança de ter um jornal português para ler, continuo com os meus americanos, inglês e espanhol.

"Artigos escritos para o papel por jornalistas treinados para o papel".

Este é o grande problema! Os estudantes que saem das universidades não estão a ser treinados para o digital. Na universidade, não aprendi o que era SEO mas aprendi que uma notícia completa tinha de ter "antetítulo, título, subtítulo, lead e corpo de notícia". 

Mas como é que fazemos a imprensa adaptar-se a uma "nova realidade" e que seja lucrativa? É que, sinceramente, ainda não percebi. Para onde quer que olhe, os projetos noticiosos não me parecem diferentes entre eles. São artigos longos, uma fotozita para ilustrar a coisa e está feito. 

"As pessoas querem ver gráficos, vídeos e galerias. Querem uma experiência visual", dizia uma professora minha. 

A informação não para e as redações continuam a encolher.

E não há pessoas capacitadas para fazer os gráficos, os vídeos e as galerias porque poucos são os cursos de comunicação que ensinam o jornalista a mexer no Photoshop ou no After Effects. "Para quê?", perguntava um professor meu que foi jornalista da Agência Lusa no tempo em que se chamava ANOP. "Para escrever notícias, não precisamos de Photoshop para nada!".

Obviamente! Como toda a gente sabe, as notícias escrevem-se num papel e enviam-se pelo telefax para Lisboa! 

(Denote-se que este professor também achou um escândalo dois jovens se beijarem na rua. A mentalidade do homem deve ter estagnado em 1973...)

O problema pode ser mesmo esse: a raíz. A imprensa não se adaptou rapidamente às mudanças da internet como a rádio ou a televisão (e, mesmo estes, tenho as minhas dúvidas). As universidades, que deviam ser os "templos do saber", continuam com professores impreparados para o futuro. As empresas de media continuam impreparadas para um público que não ouve rádio, leem as gordas e já não veem televisão de forma linear. Os jornalistas não percebem o contexto em que estão: agora, eles são, para além de jornalistas, repórteres de imagem, fotógrafos, editores e têm de fazer de bombeiro de vez em quando.

Mas ainda há alguém no ativo que acha que as notícias apenas se escrevem. Os jornalistas são jornalistas. Ponto final. Não tiram fotos. Não fazem gráficos e não precisam de saber nada SEO (que, para este professor, deve ser aquela altura em que gatas andam a miar muito pela rua!). 

A olhar para a opinião do Paulo Querido, o problema do DN vem da base: vem de uma redação que, ao que parece, não se modernizou e que não escuta os "novos".

Temos de fazer mais com menos e isso é impossível. Já não se vai ao fim do mundo e, para ir ao fim da rua, tens de ir a pé porque já se vendeu a viatura de serviço para pagar o telefone.

Mas temos de fazer! Somos poucos para defender tanto!

O país não pode ficar sem notícias às 02h, no pior dia de incêndios de sempre, porque os editores decidiram que se o primeiro-ministro já falou e ministra ainda não tinha ido de férias, a agenda do dia estava feita! 

DN, e a Global Media no seu todo, têm a oportunidade de fazer um caminho no digital. Caminho esse que, para mim, ainda está por descobrir. 

17
Fev18

O futuro

Helena Margarida

 

Estive vários anos na universidade. Anos intensos de estudo, de projetos, de amizades mas também de falhas no percurso da vida no geral. 

Na passada quarta-feira, apresentei a dissertação de mestrado. 

Foi o marco final de uma etapa num sítio que já me "disse" mais do que diz atualmente. Ao longo do dia, foi recebendo diversas mensagens. Todas elas importantes: importantes por quem as escreveu/disse e pelo seu conteúdo. Recebi mensagens de gente com as quais só me cruzei uma vez nos corredores da universidade. Recebi mensagens de antigos professores. 

Naquela manhã de quarta-feira, à frente de cinco amigos e dois jurados, apresentei o trabalho que fiz e o melhor que sabia. 

Nervoso? Claro! Só se fosse um sociopata é que não estaria nervoso. 

Era a minha vida. Era a minha visão do mundo! Era tudo isso que estava ali a defender com unhas e dentes. Nem poderia ser de outra forma. Encarei a dissertação como um projeto. Como um objetivo imediato.

Foram apenas 15 minutos para defender este projeto! 

Defendi como melhor sabia! 

E, no final, atingi o objetivo.

Mestre em Ciências da Comunicação - vertente de jornalismo. 

"Obrigado por teres vindo!", disse eu! 

"Obrigado por teres ligado!", disse eu! 

"Obrigado..." 

Obrigado pelo apoio que me dás! Obrigado por te importares! Obrigado por estares presente! 

Dizem que o futuro a Deus pertence ou que o futuro somos nós que o construímos! Eu acho que é um misto de divino e terreno! 

Agora, "há uma selva lá fora"... e ainda não estou preparado! 

27
Jan18

A SuperNanny foi para o banquinho!

SIC/Direitos Reservados

 

Falemos da Super Nanny. Falemos de um formato internacional, presente em mais de 15 países e que chegou há duas semanas a Portugal pela mão da SIC.

A estação "suspendeu" a emissão do programa deste domingo pois não tinha condições para o emitir devido às imposições do Tribunal de Oeiras (proteção da identidade da criança).

No entanto, o comunicado da própria estação levanta uma questão que, no meu entender, é perfeitamente lógica: as televisões não têm liberdade de programação desde que os conteúdos estejam dentro da lei?

É legítima a questão da proteção da criança, como é óbvio!

Mas a limitação de um programa que cumpre a lei (visto que a produtora do programa tem as autorizações necessárias para a emissão e, supostamente, as famílias visionaram o programa antes do mesmo ir para o ar) não é, em certa medida, censura?

Estou apenas a questionar...

Até porque há um regulador (a Entidade Reguladora para a Comunicação Social) que, até agora, não se pronunciou... ou melhor, pronunciou-se dizendo que se ia pronunciar "oportunamente". Cabe ao regulador, tal como está consagrado na lei, colocar os operadores "nos eixos" relativamente a esta matéria. O regulador tem de regular e, neste caso como em outros, não o fez! Coube ao tribunal esse aspeto e, aí, fico com aquele leve trago a censura.

01
Jan18

Balanços (que treta de título!)

Joshua Earle

 

2017 foi um ano de mudanças. Muitas mudanças!

De emoções fortes, de sonhos frustrados, projetos terminados e novos que surgem.

E, no fim do caminho, perceber que há uma esperança.

Findou uma série de coisas e loisas... coisas e loisas essas que não vale a pena explanar.

Chorar! Olhar o extrato bancário!

Chorar! Por se sentir impotente!

Primeiro que tudo: direcionar a nossa força. Não perder o norte. Não destilar o ódio que temos, que nasceu sabe Deus de onde, porque esse ódio pode "matar". Não fechar portas nem janelas. Nunca contar com o ovo no cu da galinha!

 

Depois: pôr as mãos na obra! Fazer! Criar! E, se for preciso, dar dois passos atrás: ver o que estava errado, onde se errou, o que se errou, o que fazer para melhorar. Parar se for preciso! Não se fracassou: arranjamos um caminho melhor e diferente.

A seguir: começar a caminhada!

2018 é isso: uma caminhada! Dos projetos em que estou envolvido, nas ideias que estou a magicar e de toda uma vida que planeio viver até aos 27... e para além disso, claro!

Em 2018, quero não me dividir: dizer mais "Não!" e menos "Sim!" mas que estes sejam "sims" sejam para quem os merece.

Em 2018, quero trabalhar no que amo com as pessoas que me rodeiam e que são mais, do que excelentes profissionais, amigos.

Podemos ser todos felizes em 2018?

01
Nov17

Orgulho

Rádio Kapa

 

Alguns me perguntam o porquê de a rádio kapa ser tão importante para mim, ter investido tanto do meu tempo livre num projeto que não me deu um tostão, de ter apostado em algo que só me dava dores de cabeça... 

A resposta não é simples: a kapa foi um marco importante na minha vida. Imaginei-a, vi-a nascer, vi-a crescer e, depois, deixei-a ir... Foi uma coisa minha, saída das minhas mãos e que, depois, se transformou num trabalho de uma equipa e que, sem ela (a equipa, entenda-se!), a kapa não teria a visibilidade que teve. Só de ver uma equipa (que chegou a ter sete pessoas!) empenhada numa coisa que eu criara ou o facto de alguém escrever no Twitter "Devia haver mais rádios como esta!" já me deixava orgulhoso pela minha "menina"! 

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É esse o sentimento que nutro pelo projeto que me deu um background único que, de outra forma, não teria: orgulho! 

Olhando à distância, não me sinto triste pelo fim da kapa. É certo que a kapa terminou as emissões no fim do mês de fevereiro. Mas a sua "alma" vive em muitos projetos em que me envolvo: no Largo ou na Cassete Pirata e, mais recentemente, no Informadouro. 

Há sete anos atrás, no primeiro de novembro, preparava-me para lançar às 22h, a rádio kapa.

Hoje, celebramos sete anos de aprendizagens, risos, erros e vitórias de uma rádio que sempre foi "alternativa"! 

Obrigado, kapa! 

 

07
Out17

Ser (youtuber) ou não ser... eis a questão!

Photo by João Silas on Unsplash

 

Ao longo da minha vida tive apenas quatro computadores para uso dos trabalhos escolares e para uso pessoal e, mesmo quando consegui convencer os meus pais a ter internet (uma banda larga móvel 3G com um happy hour entre as 09h e as 16h com tráfego ilimitado), nunca me deu para jogar online os Counter Strikes e os League of Legends desta vida. Ainda sou do tempo de usar disquetes (muitos trabalhos em Word 2000 gravei naqueles quadrados de plástico e vinil). 

Hoje tenho uma conta no Facebook, no Twitter, no Instagram, no Last.FM, no Spotify, no YouTube... 

O YouTube. 

Eu, internetodependente me confesso: "só" sigo 140 canais de YouTube. Vejo os vídeos (também chamados de "conteúdo") de todos? Claro que não! Não tenho tempo para isso! Mas, quando o tenho, passo o feed das subscrições "em revista" e vejo o que os diversos youtubers fazem. E a minha reação para com algum "conteúdo" é a mesma que eu tenho quando me cruzo com "Os Malucos do Riso" na televisão: desligo a parte de coerência do cérebro porque só assim aquilo tem sentido ou piada. É o tipo de coisas que só vejo quando quero me abstrair do dia-a-dia. 

Li o artigo do blogue "[Entre Parêntesis]" sobre a chamada "casa dos youtubers", onde sete pessoas que fazem vídeos criam "conteúdo" para dar aos seguidores dos seus canais. (Calma, calma... isto não é um artigo de resposta onde vou defender os youtubers e atacar a autora do blogue em causa, até porque ela tem razão no que escreveu! )

Eu sou seguidor de canais de alguns dos youtubers que vivem naquela casa. Vi o vídeo de quando o wuant, tristissimo, declarou que já não era vegetariano. Vi alguns vídeos de "como irritar um jogador de LOL" do D4rkFrame. Se me quero tornar youtuber por causa disso? Não me parece! 

Ser youtuber com uma capacidade de produção de "conteúdo" diária não é para qulaquer um! Alguns deixaram de estudar para se dedicar à vida de  youtuber. Exige trabalho e dedicação constantes. E sendo o nosso país de senhores engenheiros e senhores doutores, deixar a escola para se dedicar a essas coisas das internetes não é muito bem visto. 

Mas a questão não passa tanto por aí... a questão não passa tanto por ganhar dinheiro com a internet mas com o tipo de "conteúdo" que os youtubers produzem. Muitos pais estão preocupados porque a linguagem e os conteúdos do "conteúdo" não são os mais indicados para um público com oito ou nove anos. Eu percebo a preocupação. E têm a sua razão! Mas os youtubers (todos eles e não só os "da casa") não produzem conteúdos a pedido: eles têm uma comunidade que os segue e que reage mediante certo "conteúdo" em detrimento de outro. É como a velha máxima de "a televisão devia transmitir desenhos animados menos violentos". Da mesma forma, os youtubers encaram a produção de "conteúdo" como um trabalho e, como tal, ganham dinheiro com isso. Não estou a criticar os youtubers: pelo trabalho que têm, merecem o dinheiro que recebem, seja pela produção de "conteúdo", seja pelos patrocínios. 

E depois, tem de se perceber se há ou não uma transmissão de valores pelos youtubers. Ora, não cabe aos youtubers, como não cabe à televisão, transmitir valores ou ensinamentos ou outra coisa qualquer: os valores são transmitidos pela educação que os pais e encarregados de educação transmitem aos seus filhos e/ou educandos. São os pais que têm que explicar ao filhote que o Beat (nome de youtuber inventado) comprou um Lamborghini porque trabalhou e trabalha todos os dias a fazer vídeos e a investigar coisas e que exige uma disciplina que o puto ainda não tem. E que aquilo que o Beat faz nos vídeos até pode ser engraçado e "fixe" e que o Coisinha  (outro nome de youtuber completamente inventado) é "bué podre", mas não nos podemos esquecer que tudo naquele vídeo e nos subsequentes é estudado e planeado dias a fio, é visto e revisto várias vezes, que há técnicas para que os vídeos atinjam o maior número de pessoas para o máximo de receitas. 

Se podiam moderar a linguagem nos vídeos? Se podiam usar a sua influência para transmitir mensagens? Se podiam berrar menos? Se calhar até podiam! Mas os putos não iam achar tanta piada. 

12
Ago17

Agora somos adultos (II)

Kevin Lee

 

Acabei de fazer 26 anos. 312 meses, 1.356,64 semanas, 9.496,5 dias, 227.916 horas que respiro o ar deste planeta. 

E ainda não decidi o que quero ou para onde vou. A universidade está a acabar. Sim, abandonei o quarto da residência no fim do passado mês de julho. Para sempre? Talvez. E a minha vida coube em mais de seis sacos. 

A minha vida... 

Saí de uma terra que nunca foi minha para voltar a uma terra que também não o é. Temos duas ou mais vidas, vivemo-las em separado, amamos em separado. 

Sempre em separado. 

Acabei de fazer 26 anos. Já lhe disse? 

A CP diz-me que deixei de ser jovem; o "Cartão Jovem" diz que não! 

"O mais importante é que sejas feliz!", diz a minha mãe com a sua razão. Tens 26 anos mas o mais importante é que sejas feliz, completo, arranjes um bom emprego e, depois, arranjes alguém para juntar os trapinhos e viverem num T1 num subúrbio de uma grande cidade, com dois carros para irem para o trabalho todos os dias. Terem sexo e fazerem um filho ou dois, mudarem para um T3 num subúrbio de uma grande cidade, com dois carros e um carro familiar para levarem a criançada para irem para o trabalho todos os dias. Veres os miúdos a crescer (um casalinho era tão bom!) e ele tornar-se jogador de futebol ou doutor ou engenheiro e ela tornar-se uma doutora ou engenheira (porque futebol não é para miúdas!). Eles tornam-se independentes e tu tens alguém ao teu lado num T1 (novamente) num subúrbio de uma grande cidade ou, se tiveres conseguido juntar alguns trocos, numa casa de repouso para gozar a reforma. Ou isso ou encafuam-te num lar, daqueles onde a dentadura roda por todas as bocas dos internados. 

A história é bonita! O fim também o pode ser! Mas e no entretanto? 

Amamos: amamos aquilo que fazemos ou o que queríamos fazer, amamos quem temos ou quem queríamos ter. O presente nunca nos enche as medidas: no passado "é que era bom" e o futuro "a Deus pertence"! O amor também não nos faz felizes pela eternidade. O amor é mau mas pode ser bom. O amor é feio mas também pode ser lindo. O amor pode ser fodido mas também pode ser fantástico. 

Que opções restam? 

Sei lá! Acabei de fazer 26 anos. Que sei eu da vida? 

Vi amigos partirem à procura de escolhas. Agora, se calhar, chegou a minha vez. Sei que vou errar mas também sei que vou acertar... talvez. Afinal, o Camões, só com um olho, dizia que o mundo andava "desconcertado" apenas para ele porque "os maus" andavam em "mares de contentamento" enquanto os bons e, até, ele próprio, passavam "graves tormentos".

Dizia a 28 de junho de 2016 que não éramos adultos: "Somos crianças em ponto grande, cheias de medo para voar". A 13 de agosto de 2017, digo que nada mudou. O pássaro continua com medo de sair do ninho.

Acabei de fazer 26 anos. Acho que já lhe disse...

20
Mai17

Carta Aberta

Querido Jornalismo, 

Sei que isto parece o início de uma carta que se escreve aquela namorada do 11ºC de uma secundária qualquer mas... eu amo-te. 

Sim, sempre quis ser jornalista e não há outra forma de o ser: temos de nos apaixonar por aquilo que fazemos diariamente, pegar nas fontes, destrinçar o que elas dizem e, no fim, apresentar a informação percetível a quem me lê. 

Foi assim que eu aprendi a fazer-te, Jornalismo: a interpretar a realidade e a relata-la, a descrevê-la para alguém que quer saber mais...

Esperei uns dias para te escrever esta carta... Aliás, já do tempo em que se falam das fake news eu te queria  escrever, Jornalismo.... aliás, a minha vontade de te escrever já vinha do tempo das emissões em direto sem nada para dizer em que olhávamos para um rio transbordado ou para um autocarro virado ao contrário... e ficávamos ali... três horas sem nos mexermos. 

Era algo hipnótico, Jornalismo. Tínhamos/temos um sentimento de voyeur  da desgraça alheia. 

Eu acompanhei o último acidente no IP4 em direto porque tu estavas lá, Jornalismo. O carro  havia-se espetado contra o rail há minutos e tu já estava lá... 

Eu acompanhei o salvamento de duas pessoas em direto durante 45 minutos, Jornalismo. Estiveste lá. Em direto! 

Sempre o direto! 

Sempre em cima do acontecimento! 

Sempre com um compromisso com o leitor/espetador/ouvinte...

Sempre, Jornalismo. 

E eu deixei! E eu e outros colegas deixamos chegar a este ponto. Deixamos que, por todo o mundo, Tu deixasses de produzir notícias para produzir conteúdos; deixamos que Tu fosses feito em direto sem filtro. Desde a tragédia de Entre-os-Rios que entraste num ponto sem retorno: "O que está a sentir?", perguntou um colega! E ninguém o travou! Ninguém! 

Esta semana, ao abrigo da Tua doutrina, um jornal publicou no seu site e emitiu na sua televisão dois vídeos inqualificáveis. E nas redes sociais, sempre ao abrigo das Tuas regras, publicava-se a ligação para o vídeo com um "Veja o vídeo". E ninguém travou o gestor da página em causa de publicar o vídeo. Ninguém travou o jornalista de publicar o vídeo, em vez de o ver, escrever uma notícia e de o arquivar algures num servidor qualquer. 

Ninguém travou esta gente de abusar, novamente, das pessoas que aparecem na imagens. Confesso-te, Jornalismo: não vi os vídeos! Não consegui! 

Porque isto não és Tu: isto não é a profissão pela qual me apaixonei quando tinha quatro anos. Isto não é "compromisso com o leitor": isto são as Tuas regras que só são usadas quando convém e quando dá lucro. 

Sim, Jornalismo: eu ainda estou a falar para Ti! Dizem que Tu és o garante da Democracia tal como a conhecemos. E És. Sem dúvida que o És. 

Mas... 

Estamos a perder-te... Estás a perder todos os dias. Estás a perder aquilo que demoraste anos a ganhar: a credibilidade.

E cada vez mais, somos poucos aqueles que olham para Ti como uma profissão de respeito. Todos podem criar conteúdos mas poucos podem criar notícias. 

Domingos de Andrade, sub-diretor do Jornal de Notícias, escreve hoje que "os telhados são todos frágeis e carregados de telhas de vidro". Sim, todos erramos. O que não se pode admitir é que os mesmos errem constantemente... e, no final se achem certos. 

E Tu, Jornalismo, tens errado constantemente. Sem ninguém que te trave. 

No entanto, como cantam Tom Jobim "Eu sei que te vou amar, por toda a minha vida". 

 

Com muito amor, 

Do Bruno

19
Abr17

Há um sítio...

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A UTAD TV... como descrever este sítio? Como descrever o sítio onde aprendi (e aprendo) a criar, a magicar e a fazer televisão? 

Não sei...

Há quase cinco anos que pertenço ao projeto: como repórter, apresentador, pivô, apresentador novamente e, agora, gestor de um site e das redes sociais... e repórter... e um par de coisas. Há cinco anos que faço televisão... que amo aquilo que faço... que magico... que erro. 

Num casting em que passava a emissão para a repórter Margarola Catrila, era escolhido para a apresentar o Fica A Saber, depois veio o Diário, o Jornal Universitário e, por fim, o Emprego & Empreendedorismo.

Neste caminho, encontrei o professor João Simão, a professora Manuela Carneiro e a professora Inês Aroso. Todos eles deram-me a bagagem certa de liberdade, responsabilidade, à-vontade, criatividade e, finalmente, a aprendizagem. 

Neste caminho, encontrei a Angélica Paixão, a Cristiana Macedo e a Helena Margarida. Com elas, aprendi a trabalhar em equipa, a ser melhor todos os dias, a aprender que o trabalho do outro depende também de mim, que o trabalho tem de ser entregue a horas independentemente do que aconteceu, que o trabalho é divertimento quando se faz o que se gosta. 

 Neste caminho, encontrei o Nélson, o Rogério e o "Chico". Com eles, aprendi (e aprendo) a fazer coisas novas,... no Premiere ou no After Effects, a ter uma direção, a criar um método de trabalho. 

Toda esta gente fez a UTAD TV e alguns deles farão a UTAD TV no futuro

Hoje, a UTAD TV faz 10 anos! 

O projeto a que tenho o orgulho de pertencer faz 10 anos: de histórias, de programas, de histórias de programas... de olhar para aquilo que fizemos, de rirmos com a nossa figura há uns anos...

E, no final, percebermos que valeu a pena!

Há um sítio diferente na UTAD! E esse sítio é a UTAD TV. 

Parabéns! Ainda há histórias para contar...

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